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Madame Bovary - Alguns apontamentos

papoliterario:

por Vinicius Linné


Madame Bovary é, na verdade, uma obra moralizante. A maioria dos movimentos literários busca se opor ao movimento anterior. Madame Bovary, como o romance realista, coloca-se em oposição ao Romantismo. Ema é uma típica filha da era romântica, encantada com a vida dos livros e com o amor idealizado neles. Ao se deparar com a realidade, ela põe à prova todos os conceitos aprendidos na literatura, causando um descontentamento visceral. O final não poderia deixar de ser a morte.

A leitora – e sim, eram as mulheres o maior público dos romances – ao deparar-se com Ema Bovary deveria dar-se conta do quão ilusório e nocivo é o reino do ideal romântico. Deveriam, como consequência, abandonar aquelas leituras que transformariam em bobas e tediosas – como Ema – e dedicarem-se ao realismo, capaz de dar uma visão crua e ‘real’ da vida.

O que eu acho mais interessante nessa leitura – e em outras como ‘O Retrato de Dorian Gray’ - é o escândalo que causaram na época. O que antes escandalizava em Ema, hoje é visto como tedioso. Na época ela parecia uma messalina tresloucada. Hoje é só uma mulher depressiva perdida entre seus ideais e sua realidade. E se hoje estamos acostumados com uma literatura muito mais dura e muito mais exposta é porque existiram precursores tão talentosos quanto Flaubert.

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